Seguem as discussões para liberação do abate do dourado no MT

Grupos buscam reverter lei que protege o peixe

Por Alison Mota - 03/09/2020 em Notícias / Meio Ambiente - atualizado em 04/09/2020 as 16:31

Ainda que o Mato Grosso tenha uma lei específica para a proibição da captura, comercialização e transporte do dourado (Lei 9.794 de 2012), algumas pessoas estão levantando a possibilidade de reverter a norma, alegando ser possível fazer o abate do peixe com monitoramento adequado. Aqui na Fish TV, nós já nos posicionamos sobre a discussão através de um editorial, firmando nossa ideia de plena preservação da espécie.

Quem há tanto tempo trabalha com a pesca esportiva no Estado, luta para que o Rei do Rio permaneça em pleno desenvolvimento nas águas mato-grossenses, como é o caso de Julivan Trindade, da Pousada Rio Manso. “Eu encabecei a campanha para que esse assunto ganhasse atenção. Convoquei pescadores esportivos do Mato Grosso e do Brasil para nos ajudarem a fortalecer a causa da preservação. Essa movimentação para liberar o abate do dourado começou por interesses escusos de uma pessoa ligada a venda de iscas naturais, que envolveu políticos locais para dar força a esse argumento raso”, comenta.

Algo muito falado quando o assunto é pesque e solte, é o valor que o peixe tem vivo, muito maior que sem vida. Essa também é uma ideia corroborada por Gustavo Degani, da Pousada Reserva do Pantanal. “Falando em espécies pantaneiras, diversos são os peixes com carne melhor que a do dourado, tanto é que são criados em pisciculturas para consumo. Dourados não, até porque são extremamente esportivos e demoram para crescer, o que prova não fazer sentido abatê-los. Na Reserva do Pantanal, sempre orientamos os clientes a praticarem o peque e solte, e nos contratos do próximo ano deixaremos claro que só receberemos praticantes da pesca esportiva”, destaca.

As duas pousadas acima citadas são exemplos da mudança causada pela pesca esportiva no Mato Grosso. Pescadores profissionais, que são conhecedores dos rios, se tornam guias de pesca, levando pescadores esportivos aos melhores pontos, mas, dessa vez, para pescar e soltar. São as novas possibilidades trazidas pelo esporte. “A gente emprega 20 pessoas diretamente, fora os empregos indiretos. 99,9% dos produtos comercializados dentro da nossa pousada saem do próprio Estado. Investimos na região e estamos preocupados, porque a cultura de matar o peixe está acabando com as espécies do rio”, afirma Julivan.

A Fish TV nasceu por conta do esporte da pesca, que depende da conservação do meio ambiente para que continue a ser praticado por cada vez mais pessoas. Assim como passamos adiante a paixão pelo esporte, que possamos da mesma forma ensinar que a natureza precisa ser preservada, pois só assim garantiremos que as futuras gerações conheçam aquilo que nos move: o pesque e solte.

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