Rio Paraguai atinge nível preocupante

Situação do curso de águas piora por conta da seca no Centro-Oeste

Por Alison Mota - 19/09/2020 em Notícias / Meio Ambiente - atualizado em 21/09/2020 as 14:47

A seca que atinge o Centro-Oeste do Brasil tem preocupado os habitantes da região. Nesta semana, o rio Paraguai, na cidade mato-grossense de Cáceres, registrou nível fluvial abaixo de 1 metro, próximo dos 56 centímetros, a menor nos últimos anos. No mesmo período do ano passado, o registro havia marcado 86 centímetros. Pra se ter ideia, na época de cheia, em março, o mesmo rio registrava 4,4 metros, maior nível do ano.

O mesmo curso de águas passa pelo Mato Grosso do Sul, e na cidade de Corumbá já é possível ver bancos de areia no leito do rio. Além do tempo seco, a falta de chuvas agrava o problema dos rios da região. Como não há o alagamento dos campos pantaneiros, a vegetação aquática secou, se tornando alvo fácil das chamas que tomam o Pantanal. Segundo a Embrapa Pantanal, não se via uma seca como essa há mais de 50 anos.

Para que haja uma mudança deste cenário de sensação térmica desértica, queimadas e seca nos rios, é preciso grandes volumes de chuva, principalmente na região norte do Pantanal.

Investigações buscam origem do fogo

Ainda que o clima não esteja favorável, a Polícia Federal do Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Matáá, apreendendo celulares e documentos de fazendeiros do Estado, pois vê indícios de que as queimadas foram produzidas para transformar mata nativa em pasto para a criação de gado, já que as áreas protegidas não podem ser desmatadas.

Em entrevista ao Estadão, o delegado Alan Givigi comentou sobre o caso. “As queimadas começaram em fazendas da região, em espaços inóspitos dentro das fazendas, onde não há nada perto, o que nos faz entender que não pode ser acidente. Teoricamente, alguém foi lá para isso (colocar fogo)", relata.

Os documentos e aparelhos apreendidos pela PF ajudarão nas investigações que já se iniciaram. Com isso, os suspeitos poderão responder pelos crimes de poluição (Art. 54, da Lei no 9.605/98), incêndio (Art. 41, da Lei no 9.605/98), dano direto e indireto a Unidades de Conservação (Art. 40, da Lei no 9.605/98) e dano à floresta de preservação permanente (Art. 38, da Lei no 9.605/98).

Enquanto a situação não melhora, torcemos para que as chuvas possam cobrir o Centro-Oeste reabastecendo rios e apagando as chamas que têm assolado a maior planície alagada do mundo. Acompanhe nosso portal de notícias para atualizações sobre o caso.

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