Editorial - PERDEMOS MAIS UMA VEZ

Zelo pela vida deve transcender qualquer premissa técnica e jurídica

Por FishTV - 29/01/2019 em Notícias / Fish TV

O Rio Paraopeba já rendeu belos troféus para pescadores esportivos mineiros. Em uma busca rápida, é possível encontrar vídeos e relatos de capturas de Dourados, Pacus, Traíras e Surubins na região. A margem do rio que cruza Brumadinho e outros 35 municípios mineiros ainda conta com belas cachoeiras e saltos d’água e serve agricultores para irrigação de suas culturas.

 

Desde sexta-feira (25/1), porém, essa descrição habita somente a memória de quem vivia ou visitou alguma vez as margens do Paraopeba. Mesmo que há três anos, por um acontecimento semelhante, o Rio Doce e as suas riquezas deixaram saudade, não foi possível evitar mais uma catástrofe.

 

Identificar responsáveis e aplicar punições compete à justiça. Não vamos entrar em uma espiral insana de apontar rapidamente culpados diretos. Para seguirmos em frente depois do luto, é fundamental aprendermos com as perdas e olharmos para o futuro como quem não quer mais sofrer de forma gratuita e súbita.

 

Assim como é previsível para um pescador esportivo buscar o seu troféu e devolvê-lo ao rio para que essa prática se perpetue, esperamos que profissionais, empresas e órgãos governamentais estabeleçam, além de leis e regras, um pacto moral fundado no respeito, na empatia e na perpetuidade. Balanços financeiros e dividendos de acionistas não podem orientar decisões que implicam segurança de pessoas e ecossistemas. O legado deixado deve ser a premissa de qualquer prática que envolva vidas.

 

A Fish TV existe pelas histórias. Recebemos diariamente relatos de pescadores apaixonados pelo esporte e pela riqueza que os biomas que compõem o nosso país proporcionam. Nossos apresentadores evidenciam essa visão a cada episódio. Quando vemos o Paraopeba morrer, perdemos pessoas, peixes e a chance de conhecê-los e ouví-los.

 

Aprender com esse novo e lamentável acontecimento é essencial para que não tenhamos que dizer no futuro que perdemos mais uma vez.

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