O turismo brasileiro vive um momento histórico.
Impulsionado pela busca global por destinos de natureza e ecoturismo, o Brasil recebeu cerca de 9,3 milhões de turistas estrangeiros em 2025, como informado pela Embratur.
Esse fluxo intenso resultou na maior receita da história do setor: visitantes internacionais injetaram cerca de R$ 41,5 bilhões na economia nacional, segundo dados do Banco Central.
O país registrou um dos maiores crescimentos percentuais do mundo na chegada de turistas, com uma alta de 37,1% em relação ao ano anterior, também de acordo com a Embratur.
Entre os principais atrativos que justificam essa "invasão" estrangeira, está o ecoturismo e atividades como a pesca esportiva, segmento que movimenta uma extensa cadeia econômica, desde a hotelaria e gastronomia até a geração de emprego e renda em regiões remotas.
Italiano em busca dos “gigantes das águas brasileiras”
Foto: Arquivo Pessoal / Matteo Bottazzi.
A biodiversidade única dos rios brasileiros, especialmente na região Amazônica, tornou-se um ímã para pescadores de todo o mundo. O diferencial do Brasil não está apenas na quantidade, mas na qualidade e na esportividade dos peixes, como o Tucunaré, o mais desejado dos estrangeiros.
O italiano Matteo Bottazzi, que reside na Holanda, é um exemplo desse fascínio. Acostumado à pesca urbana em canais europeus, ele viajou ao Amazonas em 2024 com seu irmão, subindo o Rio Negro a partir de Barcelos, como disse em entrevista ao programa Fish News.
"É a combinação entre a biodiversidade, grandes predadores e ambientes incontaminados. Tudo isso é algo que não existe na Europa. No Brasil, os pescadores estrangeiros encontram uma aventura verdadeira, uma sensação de explorar lugares ainda intactos", relata Bottazzi.
Foto: Arquivo Pessoal / Matteo Bottazzi.
Para o italiano, a experiência vai além do custo financeiro.
"É uma viagem que pode ser exigente do ponto de vista do orçamento, mas é uma experiência de valor que supera o custo de uma passagem ou de um guia", afirma.
Matteo já planeja uma nova expedição, desta vez para o Mato Grosso, em busca do Pirarucu, da Cachorra e do Tucunaré Azul.
Sonho uruguaio realizado na Amazônia
Foto: Arquivo Pessoal / Ricardo Almada.
A fama das águas brasileiras também atrai vizinhos sul-americanos. Em entrevista para o Fish News, o uruguaio Ricardo Almada, de Montevidéu, diz já ter pescado em quase todos os departamentos (estados) de seu país, mas descreve a ida à Amazônia brasileira como a "realização de um sonho".
Durante seis dias de pescaria, Almada fisgou diversas espécies, incluindo piranhas e bicudas, mas o destaque foi um tucunaré de 76 centímetros, considerado por ele um troféu.
"O entorno, a selva amazônica, a fauna... foi tudo impressionante. Você não sabe o que vai tirar de dentro da água. O sonho de todo pescador esportivo é pescar na Amazônia", conta o uruguaio.
Foto: Arquivo Pessoal / Ricardo Almada.
Encantado com a estrutura e a amabilidade dos guias locais, Ricardo já tem data marcada para voltar: em novembro de 2026, ele retornará ao Brasil para pescar na região de Rio Preto da Eva (AM).
"A primeira vez é para pegar experiência, agora vamos muito mais preparados", garante.
Impacto Econômico e Futuro
A fidelidade de turistas como Matteo e Ricardo demonstra o potencial de recorrência da pesca esportiva. O setor atrai capital estrangeiro e fomenta o desenvolvimento sustentável, valorizando a cultura local e o meio ambiente. Afinal, o peixe vivo sempre vale mais.
Com o Brasil sendo eleito, por diversas ocasiões, como um dos melhores lugares do planeta para o ecoturismo, a expectativa é que, com incentivos governamentais e aprimoramento da infraestrutura, os números recordes de 2025 sejam apenas o começo de uma nova era para o turismo de pesca esportiva nacional.
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