O surgimento frequente de peixes bagres (vivos e mortos) em praias do Litoral Norte de São Paulo tem mobilizado prefeituras, órgãos ambientais e despertado a atenção de moradores e turistas. Registros recentes em municípios como Caraguatatuba e Ubatuba indicam a presença do animal tanto na faixa de areia quanto em áreas rasas do mar, o que representa risco aos banhistas devido ao ferrão venenoso característico da espécie.
De acordo com o biólogo Leandro Sanches, o bagre é uma das espécies mais comuns da costa brasileira, sendo encontrado em praias, manguezais e regiões costeiras. Apesar do nome popular, o peixe pode apresentar coloração variada, indo do amarelo ao cinza ou marrom, e possui diversas espécies semelhantes.
Fotos: André Nagae/Fishing Stories.
Segundo o especialista, o aparecimento desses animais na areia pode estar associado a diferentes fatores, como alterações ambientais, desorientação dos cardumes, fuga de predadores e, principalmente, descarte de peixes capturados acidentalmente na pesca, já que o bagre tem baixo valor comercial.
As autoridades ambientais avaliam ainda a influência de mudanças na temperatura da água, redução do oxigênio no mar e outros impactos que podem levar os animais ao estresse ou à morte, fazendo com que sejam levados pelas marés até as praias. Vistorias realizadas até o momento não apontaram alterações significativas na qualidade da água, e o monitoramento segue em andamento.
Embora não seja um peixe agressivo, o bagre pode causar acidentes quando é pisado ou manipulado. O ferrão, localizado nas laterais do corpo, é serrilhado e contém uma glândula que libera veneno, provocando dor intensa e podendo causar lacerações na pele. Por isso, a principal orientação é evitar qualquer contato com o animal, mesmo quando ele aparentar estar morto.
Então, o que fazer?
Fotos: André Nagae/Fishing Stories.
Em caso de ferimento, especialistas e autoridades de saúde recomendam que a pessoa não tente retirar o ferrão por conta própria, pois isso pode agravar a lesão. A remoção deve ser feita por um profissional de saúde, com os recursos adequados.
Para aliviar a dor inicial, o local atingido pode ser colocado em água morna ou quente, já que o veneno perde efeito com o aumento da temperatura. Ainda assim, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes para avaliação, tratamento adequado e prevenção de infecções, além da verificação da vacina antitetânica.
Enquanto as investigações continuam, a recomendação para quem frequenta as praias da região é redobrar a atenção ao caminhar pelo mar, especialmente em áreas rasas, e comunicar às autoridades locais caso encontre animais encalhados.
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