Viajar, hoje, parece um gesto simples. Um clique, uma passagem comprada, um destino salvo nos favoritos e uma câmera pronta para registrar tudo. No mundo da tecnologia, da pressa, das redes sociais e dos filtros, muita gente passou a conhecer o mundo antes mesmo de pisar nele e muitas vezes passou a viver os lugares apenas através da tela do celular.
Antes de qualquer pescaria, de qualquer estrada, de qualquer embarque, talvez a pergunta mais importante seja outra. O que é viajar para você? O que esse movimento significa na sua vida? Qual é o espaço que você deixa aberto para que a experiência possa te atravessar?

Foto: Vitor Mayer
Existe algo curioso e já observado por estudos na área da psicologia e da neurociência. Quando vivemos um momento apenas mediado por uma tela, nosso cérebro tende a registrar menos detalhes sensoriais. A memória não fixa com a mesma profundidade. É diferente de quando a gente para, observa com atenção, escuta os sons, sente os cheiros, percebe o vento, o silêncio e o ritmo do lugar. Quando estamos realmente presentes, as lembranças se tornam mais vívidas, mais reais, mais nossas.
Talvez por isso algumas pessoas costumam voltar de viagens dizendo que o destino foi mais ou menos. Que não era tudo aquilo. Mas será que o lugar não entregou? Ou será que a experiência foi vivida mais pela lente do celular do que pelos próprios olhos e sentidos?
Viajar, e aqui a pescaria entra com força, é se permitir viver o lugar. É entender que você visita, mas não é dono. É se integrar à cultura local, respeitar os tempos, observar os hábitos, ouvir as histórias, perceber o que não está no roteiro. É deixar que o destino te transforme um pouco, mesmo que você nem perceba na hora.

Foto: Wed Taylor.
Quando a gente vive uma experiência por inteiro, sem pressa de registrar tudo, a perspectiva muda. O mesmo lugar pode ser completamente diferente para duas pessoas. Uma que viveu com presença e outra que passou por ali colecionando imagens, mas sem criar memória afetiva.
Por isso, antes de qualquer viagem ou pescaria, vale refletir. Quero passar pelo lugar ou quero viver o lugar? Quero relaxar e desfrutar da natureza ou apenas dizer que estive lá? Quero apenas ter imagens no celular ou também quero ter memórias?

Foto: Pedro Hertz.
E em algum momento talvez seja importante parar e se perguntar. Até que ponto somos nós que controlamos as telas e até que ponto são elas que controlam a nossa vida?
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Por
Laís Vanessa
- 15/01/2026 em