Hoje, dia 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, as atenções do setor se voltam para um segmento que redefiniu o conceito de viajar e se conectar com a natureza: o ecoturismo. E, dentro dessa vertente sustentável, a pesca esportiva desponta como uma das indústrias mais promissoras, rentáveis e ecológicas do planeta.
Em um mundo onde os viajantes buscam, cada vez mais, a saúde integral e a desconexão dos grandes centros urbanos, o turismo de natureza assumiu o protagonismo.
No Brasil, o ecoturismo já é responsável por 60% de toda a movimentação do setor turístico, segundo o Sebrae. E a grande força por trás desse índice? A pesca esportiva, que atrai milhões de adeptos, gera empregos em comunidades ribeirinhas e injeta bilhões na economia nacional.
O gigante econômico das águas
Foto: Jpellgen / Flickr.
Para entender o potencial colossal da pesca esportiva, basta olhar para o mercado internacional.
Nos Estados Unidos, a economia ligada às atividades ao ar livre (outdoor) atingiu o recorde de US$ 1,3 trilhão em 2024, representando 2,4% de todo o PIB do país, de acordo com dados divulgados este ano pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), do Departamento de Comércio norte-americano. Pelo 12º ano consecutivo, a pesca esportiva e a navegação lideram como os principais motores desse montante.
Sozinha, a pesca esportiva movimenta cerca de US$ 230,5 bilhões anuais na economia norte-americana e gera mais de um milhão de empregos diretos.
O Brasil caminha a passos largos para espelhar, e até superar, devido à sua biodiversidade incomparável, esse sucesso. Com a maior bacia hidrográfica do mundo, mais de 5 mil espécies de peixes catalogadas e 7 mil quilômetros de costa, o país já vê o setor de pesca esportiva movimentar bilhões por ano.
A "invasão" estrangeira e os destinos de ouro
Foto: Arquivo Pessoal / Matteo Bottazzi.
O turismo brasileiro vive um momento histórico. Com quase 9,3 milhões de visitantes internacionais registrados em 2025, resultando em uma injeção de R$ 41,5 bilhões na economia, a pesca esportiva se mostrou um ímã formidável.
Pescadores da Europa, América do Sul, América do Norte e de outros continentes cruzam o globo em busca dos grandes troféus das águas brasileiras, como os gigantes Tucunarés, Pirarucus, Cachorras e muitos outros.
Destinos consagrados como a Amazônia, o Pantanal, o rio Araguaia e os rios do Mato Grosso (como o Teles Pires) e tantos outros, se tornaram rotas globais. Apenas no Amazonas, a alta temporada, que começou neste mês, atrai cerca de 30 mil turistas por ano, gerando R$ 500 milhões para a região e transformando a vida de guias de pesca, donos de pousadas e comerciantes locais.
A matemática da preservação: o peixe vivo vale mais
Foto: Circuito Goiano de Pesca Esportiva.
O Dia Mundial do Turismo também é um chamado para a sustentabilidade, e a pesca esportiva prova que preservação e rentabilidade andam juntas. Na modalidade do pesque e solte, o peixe deixa de ser apenas alimento para se tornar um patrimônio econômico renovável.
Um estudo revelador da Superintendência de Pesca do Paraná comprovou isso em números: um quilo de peixe capturado e solto movimenta, em média, R$ 942 na economia, envolvendo a compra de iscas, equipamentos, hospedagem e guias. Se esse mesmo peixe fosse abatido e vendido para consumo, renderia cerca de R$ 30.
O peixe vivo, que retorna à água e pode ser pescado inúmeras vezes, vale mais de 30 vezes o seu valor comercial como proteína.
Inovação e o futuro do turismo verde
Foto: Secretaria de Turismo de Bonito (MS).
O setor entra agora em uma nova fase de expansão digital e ecológica. O mercado global de equipamentos cresce na casa dos 3,3% ao ano, impulsionado por tecnologias embarcadas (GPS, sonares inteligentes e varas de alta performance) e, fundamentalmente, pela adoção de materiais sustentáveis, que já representam 40% dos novos produtos lançados.
Fomentar o turismo de pesca esportiva no Brasil é investir em uma indústria limpa. É garantir que o turista, maravilhado com a biodiversidade incontaminada dos nossos rios, retorne todos os anos.
Neste Dia Mundial do Turismo, os números deixam claro: a pesca esportiva já é a realidade que preserva o meio ambiente enquanto impulsiona o desenvolvimento de todas nações que fomentam a atividade.
Foto de capa: Fish TV.
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