Pesca Esportiva: qual o papel para o desenvolvimento sustentável?

No Dia Mundial dos Animais e da Natureza, entenda por que a pesca esportiva é uma ferramenta para avanços sustentáveis

Por Victória Netto - 04/10/2019 em Notícias / Meio Ambiente - atualizado em 04/10/2019 as 17:39

Em 04 de outubro é celebrado o Dia Mundial dos Animais e da Natureza. A data foi instituída em homenagem ao frade católico São Francisco de Assis, um protetor dos animais que faleceu no dia 04 de outubro de 1226. Mas a comemoração só ganhou força mesmo a partir de 1978, quando a Unesco criou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais

Esse documento afirma que todos os seres vivos têm direito ao respeito e à proteção humana. Por isso, a data é lembrada com o propósito de provocar reflexões e proposições de medidas para diminuir os impactos do ser humano no planeta.

E é aqui que o desenvolvimento sustentável entra em jogo! Basicamente, são os avanços capazes de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer as gerações futuras. Em linhas gerais, há o reconhecimento de que os recursos naturais são finitos, e aí se começa a explorar eles com mais inteligência.

Com o lema “Ninguém pode ficar de fora”, o desenvolvimento sustentável foi construído com base em cinco áreas de importância para a humanidade e para o mundo, os chamados “5 P’s”: Pessoas, Prosperidade, Paz, Parcerias e Planeta.

E se você quer saber o que a pesca esportiva tem a ver com isso, a resposta é: absolutamente tudo! Isso porque o pesque e solte contempla os cinco critérios, e nada melhor do que lembrar desses aspectos no dia de hoje. Bora conferir como eles se aplicam?

Pessoas

O pesque solte vem se apresentando como uma alternativa para as populações ribeirinhas, que podem trabalhar com o turismo de pesca nas regiões onde vivem. Aqui vale lembrar que o objetivo não é mudar as características sociais dessas pessoas, mas oferecer uma opção para melhorar a vida delas, caso desejem. Assim, com a pesca esportiva é possível trabalhar como guia de pesca, guia de turismo, com produção de iscas naturais, entre tantas outras alternativas.

Prosperidade

Há toda uma indústria em torno do mercado da pesca esportiva: o turismo de pesca, insumos, náutica, motores de embarcações de pesca, vestuário, enfim, tudo que vai servir para o pescador e para as pousadas. E é claro que isso gera movimentação econômica com impactos diretos em toda a cadeia social, ou seja, contribui para a sociedade prosperar e se desenvolver. 

Paz e Parcerias

Há determinadas áreas em que a pesca só é permitida para os povos nativos, e não é incomum que isso gere alguns conflitos, já que existe o interesse em explorar esses locais por sujeitos de fora dessas comunidades. E a pesca esportiva surge como uma maneira de apaziguar possíveis embates. 

Um exemplo é que hoje já existem casos de cooperação entre operações de pesca e povos indígenas. Esses projetos são acompanhados por ONGs e instituições que fiscalizam as pousadas para que elas viabilizem somente práticas de pesque e solte

Como essas iniciativas têm também um foco social por trás, os povos indígenas, em contrapartida, recebem assistência médica e odontológica, além de manutenção de aspectos culturais e ensino.

Aí também estão as parcerias: governo, operadores de pesca, iniciativa privada, organizações independentes e povos tradicionais atuando em conjunto em prol de objetivos em comum. Isso demonstra que nada funciona sozinho, e que quanto mais atores sociais estiverem envolvidos, maiores as chances de uma inciativa dar certo.

Planeta

A partir do momento que se compreende que os recursos do planeta são finitos, o uso deles precisa ser feito de forma sustentável e com responsabilidade ambiental. Isso inclui a exploração consciente do recurso animal, que, no caso da pesca esportiva, é o peixe. 

Mas simplesmente manter o peixe vivo não é suficiente para a conservação. Isso porque o peixe não existe isolado do todo - ele faz parte de um ecossistema, de um bioma, e sem floresta preservada, sem água de qualidade, sem fauna saudável, não há equilíbrio ambiental. E, por consequência, não existiriam peixes. 

Por isso, o pesque e solte deve ser cada vez mais pensado como um meio para proteger a natureza e os animais, e encarar o nosso esporte como uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável é pensar de verdade que somos parte desse todo.

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