Uma iniciativa que une o poder público e a comunidade de pescadores está mobilizando a comunidade no sul da Bahia, no combate à presença do peixe-leão. Considerada invasora nas águas brasileiras, a espécie tem sido alvo de uma ação de captura que já retirou mais de 500 exemplares da região em apenas um mês.
O trabalho é realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal e a Colônia de Pescadores de Maraú. A iniciativa busca reduzir a presença da espécie nas águas do município e, consequentemente, os impactos que sua proliferação pode causar ao ambiente marinho.
Como forma de incentivar a participação dos pescadores, a ação oferece R$ 10 por cada peixe-leão capturado e entregue à Colônia de Pescadores. A mobilização da comunidade tem sido fundamental para ampliar a retirada dos exemplares.
Depois de retirados do mar, os peixes capturados são encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). No local, os animais passam por análises que devem contribuir para um conhecimento mais aprofundado sobre a presença e a expansão da espécie. Os estudos devem investigar características como alimentação, genética, origem e comportamento.
OS RISCOS DA PRESENÇA DO PEIXE-LEÃO
Originário da região do Indo-Pacífico, o animal é considerado invasor nas águas do país e sua presença tem despertado preocupação entre pesquisadores e autoridades ambientais.
Predador, capaz de se alimentar de diferentes espécies marinhas, o peixe-leão pode provocar alterações significativas nos ecossistemas onde se estabelece. A espécie também pode competir com animais nativos por alimento e espaço, afetando o equilíbrio da biodiversidade e, consequentemente, a própria atividade pesqueira.
Outro fator que favorece sua expansão é a ausência de predadores naturais na costa brasileira. Além disso, a espécie apresenta uma grande capacidade de reprodução, produzindo milhares de ovos e larvas ao longo do ano, o que facilita sua dispersão por novas áreas.
Na Bahia, o peixe-leão já foi identificado em diferentes pontos do litoral. Em fevereiro de 2025, foi registrado em Morro de São Paulo e, em julho do mesmo ano, em Taipu de Dentro, no município de Maraú.
No Brasil, os primeiros registros do invasor ocorreram em 2014, no litoral do Rio de Janeiro. Desde então, o animal também foi identificado em outros estados do Nordeste, ampliando a preocupação com o avanço da espécie pela costa brasileira.
Além dos riscos para a biodiversidade, o peixe-leão também exige atenção no momento da captura e do manuseio. Na fase adulta, o animal pode possuir até 18 espinhos venenosos, e o contato com eles pode provocar reações como dores intensas, náuseas e, em casos mais graves, convulsões.
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