O silêncio que leva à onça

Depois de anos voltando ao Pantanal, descobri que o maior encontro da viagem não acontece com barulho, mas com silêncio.

Por Laís Vanessa - 27/08/2026 em Notícias / Turismo

Depois de muitos anos viajando ao Pantanal, vivi uma experiência inédita: encontrei a onça-pintada em seu habitat natural.

A viagem começou em Cáceres, no Barco-Hotel São Lucas, conhecido pela pesca esportiva. Mas existe um roteiro que permite unir duas experiências completamente diferentes. Depois de alguns dias no barco-hotel, é possível seguir até Porto Jofre, um dos destinos mais conhecidos do mundo para a observação de onças-pintadas.

Foto: Pedro Hertz

E basta chegar lá para entender por quê.

A onça-pintada, o maior felino das Américas e um dos maiores do planeta, transformou Porto Jofre em um destino desejado por fotógrafos, pesquisadores e amantes da vida selvagem. Nos barcos, ouvi italiano, espanhol, inglês e vi turistas vindos dos Estados Unidos e da África do Sul. Gente que cruzou oceanos para viver alguns minutos diante de um animal que nós, brasileiros, temos o privilégio de chamar de nosso. Isso faz pensar.

Foto: Pedro Hertz

Enquanto muita gente sonha em fazer um safári na África, existe um safári brasileiro que impressiona os visitantes do mundo inteiro. O Pantanal abriga a maior concentração de onças-pintadas em ambiente natural do planeta, e, ainda assim, muitos de nós demoramos a enxergar esse patrimônio.
O mais curioso é perceber como o ritmo muda.

Na pesca esportiva existe conversa, risadas, expectativa pelo próximo arremesso. No ecoturismo, o silêncio vira regra. Os motores diminuem, as vozes quase desaparecem, e todos parecem entender, sem que ninguém precise repetir, que aquele encontro depende do respeito ao ambiente.

Quando a onça surge na margem do rio, ninguém quer ser a pessoa que quebra aquele momento. Não existe espetáculo preparado. Existe um animal vivendo sua rotina, caminhando pela beira do rio, indiferente às lentes apontadas em sua direção. É justamente essa autenticidade que torna o encontro tão marcante.

Foto: Pedro Hertz

Depois de tantos anos voltando ao Pantanal, percebi que ainda faltava conhecer esse lado da região. Às vezes, basta mudar o roteiro para descobrir que um dos maiores tesouros do Brasil sempre esteve ali, sendo admirado primeiro por quem veio de longe e, felizmente, agora também por mim. 


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