Estrelas e Cometas: Uma homenagem a Nelson Borges de Barros Filho

Crônica de Betinho Oliveira

Por Betinho Oliveira - 06/06/2019 em Notícias / Geral

Existem pessoas que passam pela nossa vida deixando marcas definitivas. São verdadeiras estrelas. Diferentes dos cometas que somente marcam a data da sua passagem e depois são esquecidos.

Estrelas têm sua luz própria e brilho diferente. Pessoas estrelas são reconhecidas por todos como tal, mas, nem por isso se acham merecedoras.

Assim foi o meu amigo Nelson Borges de Barros Filho.

Quando o conheci pessoalmente, foi como um encontro familiar, já que, por telefone, trocávamos constantemente informações sobre atado.

Suas soluções práticas e caseiras se encaixavam perfeitamente com a minha forma de pensar.

Nunca foi de holofotes, mas despertava admiração por onde passava, seja pelo seu gênio forte ou pelo grande conhecimento sobre a pesca com moscas.

Já tive de contatá-lo de outros países para que recebesse elogios de antigos admiradores.

Iniciou muita gente na pesca com moscas, até fora do Brasil.

Apesar da nossa diferença de idade, raramente passava uma semana sem que me telefonasse, contando peripécias de antigas pescarias, ideias de iscas, comentários sobre velhos amigos que se lembrava, mas tinha perdido o contato. Sempre discutia novas possibilidades de uso dos materiais de atado, comentando sobre seu estado de saúde precário que o impossibilitava de pescar.

Queixava-se sempre pela falta de pescarmos juntos. Como eu sinto...

Tive momentos de comprar passagens, tendo de desmarcar, em seguida, pelo precário estado de saúde de Nelson.

Pela facilidade do convívio, pude homenageá-lo com belos e emocionantes registros no programa A Arte do Atado, da Fish TV e, também, na minha casa, em São Paulo. Os mais jovens que não o conheciam, também tiveram a oportunidade de homenageá-lo em várias ocasiões. Recebia tudo com muita emoção e alegria.

Seus ensinamentos jamais serão esquecidos por mim e pela sua legião de admiradores.

Porque pessoas como ele são estrelas que permanecem, enquanto os cometas desaparecem.  

Há muita gente cometa. Passam pela vida da gente apenas por instantes, e não prende ninguém e a ninguém se prende.

Gente sem amigos, que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença.

Há muita gente cometa.

Há necessidade de criarmos um mundo de estrelas. Poder vê-las e senti-las todos os dias. Poder contar com elas e ver sua luz e sentir seu calor.

Assim são os amigos. Estrelas na vida da gente.

Pode-se contar com eles pois, são uma presença. São aragem nos momentos de tensão, luz nos momentos escuros.

Ser estrela é marcar presença. Ter vivido e construído uma história pessoal.  Ter sido luz para muitos amigos. Ser estrela neste mundo passageiro e cheio de pessoas cometas é um desafio, mas, acima de tudo, uma recompensa.

É nascer e ter vivido com intensidade e não apenas existido.

Amigo Nelson, de onde estiver, fique tranquilo que seus ensinamentos continuarão pelos seus discípulos.

Desejo que o paraíso receba de braços abertos o amigo Nelson Borges.

Aviso aos anjos: Cuidem-se, porque ele vai querer ensinar tudo sobre a pesca com moscas.


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