ENTRE RIOS E CÉUS: CASAL DE PESCADORES UNE AVIAÇÃO, PESCA ESPORTIVA E ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO

Projeto vai cruzar cinco estados em uma jornada de mais de 60 dias para levar saúde bucal para as comunidades ribeirinhas isoladas e promover o pesca esportiva.

Por Marcelo Telles - 02/06/2026 em Notícias / Geral - atualizado em 02/06/2026 as 09:59

A paixão pela pesca esportiva frequentemente leva os praticantes aos mais desejados e isolados cantos do Brasil, em busca do troféu dos sonhos. 


No entanto, para a cirurgiã-dentista Caroline Lima e o zootecnista Rodrigo Martins, criadores do canal @fishing_fly_brasil, a linha que divide a aventura da responsabilidade social ganhou uma nova dimensão.


Em agosto de 2026, o casal dará início à expedição "Entre Rios e Céus", um projeto inédito que vai unir aviação, pesca esportiva e atendimento odontológico voluntário em comunidades remotas e desassistidas do país.


Foto: Arquivo Pessoal / Rodrigo Martins e Caroline Lima.


Durante mais de 60 dias, os dois vão cruzar os céus de cinco estados brasileiros pilotando a própria aeronave. A proposta nasceu de uma experiência real e transformadora vivida por eles em uma de suas pescarias tradicionais. 


Na ocasião, Caroline foi procurada por um morador ribeirinho que sofria com dores intensas de dente. Ao prestar o atendimento emergencial de forma improvisada, o casal percebeu o tamanho da vulnerabilidade daquelas populações e o impacto que uma ação estruturada poderia causar.


A partir dali, decidiram usar a autonomia proporcionada pela aviação para mapear e alcançar regiões onde o acesso por terra ou vias fluviais convencionais é extremamente demorado ou quase impossível.


Foto: Arquivo Pessoal / Rodrigo Martins e Caroline Lima.


O roteiro traçado para a jornada é extenso e passará por verdadeiros santuários da pesca esportiva nacional. A largada será dada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com paradas estratégicas programadas em rios lendários na rota dos pescadores, como o Teles Pires, no Mato Grosso; o São Benedito, no Pará; além dos rios Roosevelt e Mutuca, no Amazonas.


A expedição também fará base em Barcelos, conhecida mundialmente como o paraíso dos grandes tucunarés-açu, e seguirá até o baixo Rio Branco, em Roraima.


Mas o grande diferencial do projeto está na imersão cultural e no legado deixado em cada parada. Na remota vila ribeirinha de Santa Maria do Boiaçu, em Roraima, por exemplo, Rodrigo e Carol vão abrir mão do conforto tradicional para dormir na própria comunidade.


O objetivo é vivenciar de perto a rotina local e montar uma força-tarefa de atendimento clínico voltada tanto para os moradores da região quanto para os colaboradores das pousadas parceiras que dão suporte ao turismo de pesca.


Foto: Arquivo Pessoal / Rodrigo Martins e Caroline Lima.


No braço social da expedição, a atuação da doutora Caroline Lima será focada em um protocolo clínico de campo planejado especificamente para áreas sem infraestrutura. Entre as prioridades máximas estão o alívio imediato da dor e o controle de infecções graves por meio de exodontias (extrações) simples e tratamentos de urgência. 


O projeto também dará atenção estratégica ao público infantil através do Tratamento Restaurador Atraumático (ART), uma técnica que utiliza curetas e ionômero de vidro para remover e restaurar cáries sem a necessidade de motor de alta rotação ou energia elétrica. Além disso, serão realizadas aplicações tópicas de flúor e oficinas de educação em saúde bucal com escovação supervisionada e distribuição de kits para a comunidade.


Paralelamente aos atendimentos, a pesca com técnicas de arremesso e Fly (pesca com mosca) continuará ativa nos momentos de lazer, funcionando como uma ferramenta de conscientização ambiental. 


O casal pretende usar a visibilidade do projeto nas redes sociais, como Instagram e YouTube, para mostrar que o pescador esportivo também pode ser um agente ativo de transformação social e preservação da fauna local. 


Foto: Arquivo Pessoal / Rodrigo Martins e Caroline Lima.


Após o cumprimento das metas nas regiões mais isoladas da Amazônia, a expedição iniciará a rota de retorno no fim de setembro, passando pelo Lago do Manso e pelo Pantanal do Paiaguás, com encerramento previsto para outubro de 2026 em Mato Grosso do Sul.




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