A cidade de Goya, na província de Corrientes, Argentina, foi mais uma vez o centro da pesca esportiva sul-americana. No início do mês, a 49ª Festa Nacional do Surubim se encerrou, reunindo milhares de apaixonados pelo esporte em um evento de proporções gigantescas.
Reconhecido pelo Guinness Book e distribuindo uma premiação recorde de 600 milhões de pesos argentinos, o festival provou, mais uma vez, por que é considerado o verdadeiro "Mundial da Pesca".
Foto: Festival Nacional do Surubim / COMUPE.
Para entender a magnitude do torneio, conversamos com Raúl Gonzales, presidente da Comissão Municipal Permanente de Pesca (COMUPE) e organizador do evento. Segundo ele, o sucesso da festa vai muito além da competição na água.
"A verdade é que é muito mais que um torneio de pesca, é um encontro de amigos, pois todos os anos nos encontramos no mesmo lugar e com a ideia de participar do nosso mundial de pesca. São cinco dias de plena convivência com todos os pescadores de diversos lugares do país e do mundo", destaca Gonzales.
Apesar da infraestrutura impecável e da presença massiva de 1.400 embarcações simultâneas no Rio Paraná (um limite estabelecido pela organização para manter a segurança e a capacidade operacional), a natureza impôs seus próprios desafios nesta 49ª edição.
Gonzales explicou que a quantidade de capturas não foi o destaque deste ano devido a fatores ambientais muito específicos.
"O rio estava em período de cheia, o que não é propício para a captura dos exemplares do surubim. Também havia uma lua muito clara que impede, de certa forma, que o peixe vá buscar águas mais profundas para se esconder. Nesse momento ele não come, e espera que a lua se esconda para fazer isso."
Foto: Festival Nacional do Surubim / COMUPE.
Ainda assim, a competição foi acirrada, respeitando regulamentos rígidos de distanciamento entre os barcos e o uso de varas padronizadas. Os grandes destaques da edição foram:
- CAMPEÃ GERAL: A equipe María del Rosario levou o título ao somar 42,40 pontos.
- MAIOR PEIXE: A equipe Villaboster garantiu o troféu com um exemplar de 119cm.
Mostrando que a pesca esportiva deve caminhar lado a lado com a conservação, a organização realizou a soltura de 5.000 alevinos de surubim no rio, garantindo o futuro da espécie, que pode chegar a mais de 100 kg.
A Festa Nacional do Surubim também e movimenta intensamente a economia de Goya. O presidente da COMUPE ressalta que o evento é um motor turístico para a região durante todo o ano.
Durante os cinco dias, visitantes e pescadores puderam aproveitar a Expo Goya, que contou com exposições náuticas, automotivas e empresariais de nível internacional, além de praças gastronômicas, a tradicional eleição da Rainha da festa e apresentações de artistas renomados e do clássico chamamé.
O ápice do festival ocorreu no domingo de encerramento, consolidando o espírito de confraternização sul-americana.
"Termina com um jantar de pescadores onde estão 5 mil pessoas reunidas, comendo todas ao mesmo tempo um churrasco, e onde fazemos a entrega do prêmio principal", relata Gonzales, evidenciando o clima de festa que atrai colombianos, uruguaios e, claro, muitos brasileiros.
Com a edição de 2026 encerrada com sucesso, os olhos da organização já estão voltados para o futuro. O próximo ano marcará as bodas de ouro do evento, a sua 50ª edição, prometendo quebrar novos recordes.
Gonzales deixa o convite aberto a todos os pescadores do Brasil e finaliza com uma frase que resume a alma do festival:
"Lembrem-se de que no ano que vem acontecem as bodas de ouro do surubim, serão realizadas as 50 edições da nossa festa, então imaginem o que nos espera”, finalizou Gonzales.
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