A cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, tornou-se o epicentro da aquicultura e piscicultura latino-americana entre os dias 2 e 4 de setembro.
A 8ª edição do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil 2026) reuniu produtores, pesquisadores, indústria e representantes governamentais para discutir os desafios técnicos e o futuro econômico do setor.
O recado deixado pelo evento foi claro: a piscicultura brasileira vive um momento de virada e o crescimento sustentável da atividade depende, agora, de inteligência, gestão e competitividade.
Durante a abertura oficial, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, reforçou o peso do setor para a economia nacional. Segundo ele, "a aquicultura não é futuro, é o presente do país".
O ministro destacou o grande potencial do reservatório de Itaipu e firmou uma meta ambiciosa para o governo: fazer com que o Brasil salte para a primeira ou segunda posição no ranking dos maiores produtores de tilápia do mundo.
Além da expansão produtiva, o chefe da pasta defendeu políticas para tornar o pescado mais acessível e barato na mesa dos brasileiros, prometendo também a criação de mecanismos de proteção aos produtores nacionais frente ao avanço das importações.
E a busca por maior competitividade também dominou os painéis técnicos. Especialistas apontaram que a ração continua sendo o grande peso da atividade, representando entre 70% e 80% do custo operacional, dependendo do sistema produtivo.
Para que o peixe brasileiro tenha força para disputar o mercado internacional de igual para igual, o custo de produção precisa cair. Estima-se que, para uma competitividade real no exterior, o custo de produção da tilápia precisaria se aproximar da faixa dos R$ 5 por quilo. A mensagem central foi a de que os produtores devem focar no retorno financeiro e na margem de lucro real.
Nas rodadas sobre mercado, a diversificação das exportações foi apontada como uma estratégia de sobrevivência. Atualmente, o Brasil possui forte dependência do mercado dos Estados Unidos.
A recomendação de especialistas é pulverizar os destinos comerciais, abrindo portas na Europa, Oriente Médio, África e Austrália. Esse movimento também abre espaço para a internacionalização de espécies nativas, como o tambaqui e o pirarucu, que vêm despertando cada vez mais o interesse internacional.
No mercado interno, o desafio é driblar a barreira do preço e se adaptar ao novo comportamento do consumidor. O brasileiro busca cada vez mais conveniência. Para incentivar o consumo no dia a dia, a indústria precisa investir em praticidade, oferecendo peixes já limpos, cortes prontos, porções individuais e soluções que exijam menos tempo de preparo.
A inovação também teve destaque nos corredores e palestras do IFC Brasil 2026. Soluções como o uso de inteligência artificial, visão computacional e automação no trato e monitoramento dos peixes já são realidade para otimizar o uso de insumos e melhorar a eficiência.
No entanto, o painel sobre inovação deixou um alerta fundamental para os aquicultores: nenhuma ferramenta tecnológica é válida se não se transformar em valor concreto.
O investimento em automação e novas tecnologias precisa, obrigatoriamente, fechar a conta, reduzir desperdícios e fazer o produtor ganhar mais dinheiro.
O futuro da piscicultura brasileira será ditado por quem souber aliar alta produtividade a uma gestão de custos afiada.
Foto de capa: Flickr / Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
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