Amazônia apresenta queda de grandes tempestades, resultado das fortes mudanças climáticas

Segundo pesquisa, aglomerados de tempestades, que representam cerca de 40% das chuvas na Amazônia, estão apresentando uma grande diminuição com o passar dos anos.

Por Marcelo Telles - 16/05/2023 em Notícias / Meio Ambiente - atualizado em 16/05/2023 as 10:57

Dentre as suas mais diversas características, a região da Amazônia também é muito conhecida por conta do seu grande volume de chuva, em vários momentos diferentes do ano. Quem visita a região, normalmente, já se prepara para receber uns bons pingos de chuva.


Acontece que cerca de 40% de todas as precipitações na região, são formadas pelos sistemas convectivos de mesoescala, os SCMs.



Os SCMs são, resumidamente, intensas tempestades, que podem chegar a quilômetros de distância e têm efeito retroativo, onde o seu fim tem o poder de reiniciar o processo.


Acontece que, de acordo com uma pesquisa publicada na Climate Dynamics, realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo, a USP, uma das maiores e mais respeitadas instituições de ensino do país, a frequência dos SCMs vem diminuindo na região amazônica.



Para os cientistas, após dados coletados e muito estudo, é possível afirmar que essa diminuição tem como causa a grande mudança climática que o planeta vem passando.


Os sistemas convectivos de mesoescala podem durar horas e dividem opiniões a respeito da pesca esportiva, por exemplo.


Enquanto uns pescadores preferem que a chuva forte não caia nos momentos que antecedem a pescaria, outros defendem que algumas espécies ficam mais fáceis de serem encontradas após as chuvas, com uma maior variedade de exemplares naquele dia, por conta da possível ativação que a chuva fez em contato com o rio.



Na pesquisa realizada, foi comparado o período atual ao de sete décadas atrás, entre os anos de 1950 e 1960, apresentando assim, uma queda de, praticamente, 3% na frequência dos SCMs na Amazônia.


Apesar de parecer pequeno, esse número tem fortes consequências, ainda mais se projetarmos para o futuro, onde a taxa de ocorrência dos sistemas tende a diminuir ainda mais.



Porém, ao mesmo tempo em que sua ocorrência diminui, a intensidade dessas tempestades pode aumentar. Outro fator que pode agravar a diminuição dos SCMs, e que não está incluído nesse estudo, é a respeito do desmatamento.


Com os altos números na Amazônia, o desmatamento pode alterar a termodinâmica da região, diminuindo qualquer tipo de chuva, num geral. Todos esses dados somados à elevação da temperatura média do planeta e, com possíveis aumentos do desmatamento, pode significar um futuro preocupante para a Amazônia.



Apesar de todos os indícios, os cientistas concluíram que esses números na Amazônia são diferentes de outros lugares do planeta, onde apresentam um aumento da ocorrência e da intensidade dos SCMs.


A pergunta que fica é: por que isso acontece? Essa resposta, porém, talvez só poderá ser respondida com outro estudo.


Se tiver interesse em ler o artigo publicado pelos cientistas da USP, você pode acessá-lo clicando aqui



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