“É muito mais a relação afetiva com a pesca”

Conheça a história de uma gaúcha, um acreano e um bengalês movidos pela experiência da pescaria no CBP

Por Victória Netto - 20/08/2019 em Notícias / Fish TV

Para diversos pescadores, a experiência do Campeonato Brasileiro em Pesqueiros é muito mais motivadora do que a possibilidade de ganhar, e isso literalmente move essas pessoas em torno da competição. As distâncias se encurtam diante da expectativa de estar presente.

A empresária Carina Martins, 31 anos, é um desses casos. Gaúcha, mora no Rio de Janeiro com o marido e com as duas filhas, e viu no campeonato em pesqueiros um ótima oportunidade para dividir um momento com o pai, Ervino Rodrigues Martins, 59 anos. Ele vive em Santa Cruz do Sul/RS e já havia participado da primeira edição do CBP. 

Segundo Carina, ela leva a pescaria mais como brincadeira, embora goste de pescar, do contato com a natureza, de sentir a vitalidade do peixe na linha. Mas a motivação maior para o seu deslocamento é outra. Para a empresária, viajar à terra natal para pescar com o pai é uma espécie de viagem ao passado, onde ela encontra suas raízes e memórias.


Carina e o pai, Ervino, durante pescaria. Foto: Arquivo pessoal

“É muito mais essa relação afetiva com a pesca, me lembro de quando eu ia pescar com meus tios e meu pai”, conta. Além disso, Carina quer que as filhas possam ter esse tipo de vivência. “Elas não têm família próxima, não têm muito isso da relação de família com a pesca, a tradição, diversão, então eu quero mostrar para elas que é algo que eu também fazia quando era criança”, compartilha. 

Para Ervino, o mais importante da participação no CBP é reunir todo o clã. "Vão estar presentes os dois genros, as duas filhas, as netinhas, o netinho, talvez os avós, meus irmãos, a família é grande", antecipa. “A expectativa é juntar a família, isso é o principal e já é uma vitória; pegar um peixe, mais outra; conseguir classificar, então, seria o máximo”, avalia, notoriamente animado com a perspectiva do reencontro e da competição.


Carina, os pais e sua filha mais velha, Ana Luisa. Foto: Arquivo pessoal


“Tinha uma dificuldade para participar porque não tinha dupla”

Enquanto a família Martins vai em busca de momentos de diversão e união, outro pescador também vai atravessar alguns estados para competir no CBP, na etapa goiana. O empresário Nilton Alves Pacheco, 50 anos, mora em Rio Branco, no Acre, e costuma viajar para visitar a filha, que mora em Goiânia. Mas, desta vez, o objetivo da viagem a Goiás é outro.

Pescando há mais de 25 anos nos rios de Rondônia e da Bolívia, próximos da região onde vive, conheceu o pesque e solte por meio da Fish TV. Mas a prática da pescaria em pesqueiro aconteceu mesmo em Goiás, durante as visitas à filha. E por não conhecer ninguém que pudesse ser sua dupla no CBP, contou com um empurrãozinho na hora da inscrição.

“Tinha uma dificuldade para participar porque não tinha dupla. Aí o Bruno [gerente de atendimento da Fish TV] facilitou o contato com o meu parceiro, que é de Goiás, e aí nos inscrevemos”, conta Nilton. De acordo com o empresário, ele e sua dupla já se encontraram para treinar em um pesqueiro e devem se ver de novo em setembro, quando vão definir algumas estratégias para a competição.


Nilton Pacheco em suas pescarias. Fotos: Arquivo pessoal

Apesar do interesse na prova em si, para Nilton, um apaixonado pelo pesque e solte, o mais motivador é fazer parte do evento. “No ano passado assisti ao Campeonato e foi muito legal acompanhar. Acredito que esta edição vá ser ainda melhor do que foi no outro ano, e estamos indo para participar e competir”, destaca.


“Quando cheguei ao Brasil não consegui, tinha o problema da língua”

A pesca em pesqueiro também foi uma novidade para outro participante do CBP que atravessou o oceano. Badiul Alam, 30 anos, cresceu pescando nos rios de Bangladesh, seu país de origem. O operador de produtos de uma empresa de carnes se mudou para o Brasil em 2013, em busca de oportunidades em uma nação com menos conflitos do que a sua.

Assim que pôde, já situado na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, voltou a pescar. “Quando cheguei ao Brasil, primeiro não consegui [pescar], tinha o problema da língua, do português, depois um brasileiro me ajudou a aprender a língua, aí comecei a pescar, conhecer o pessoal”, conta, com um sotaque marcado. “Agora tenho muitos amigos brasileiros, temos um grupo de pesca, participamos de torneio”, diz. 


Badiul Alam durante pescaria. Foto: Arquivo pessoal

Babor - como é conhecido pelos mais próximos - já até ganhou o primeiro lugar em um torneio de pesca. Mas competir em um campeonato como o CBP é novidade. “Eu quis participar porque esse Campeonato é o maior do Brasil”, resume. O operador de produtos vai competir com a namorada. “Ela não sabe pescar, mas queria participar comigo, aí vai ser a minha dupla”, conta.

Assim como Carina, Ervino e Nilton, Badiul Alam também tem uma relação afetiva com a pesca. Aliás, só quem é pescador sabe o que é sentir o peixe na linha e como é especial dividir a alegria das capturas com quem compreende esse mesmo sentimento. E o CBP está cheio de histórias assim, de pessoas movendo-se em busca dessa conexão.

Nesse sentido, a participação no CBP é, por si própria, uma experiência motivadora para os competidores inscritos, muito mais do que o título. E é claro que há particularidades em cada vivência, mas um ponto em comum é incontestável: a pesca conecta pessoas, independentemente da modalidade, do estado e mesmo da origem no mundo. 

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